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Paula Santos

Eu+Tu=1

Eu+Tu=1

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"...
– Eu já te disse que estás maravilhosa, princesa? – Sussurrou-me ao ouvido.
– Acho que já disseste qualquer coisa sobre isso... - Balbuciei atrapalhada, apoiando-me no peito dele. Mal o elevador parou, saí ainda meio cambaleante e dirigi-me à porta.
– Bem, chegou a hora das despedidas...
Ele encostou-se à parede de mãos nos bolsos e não parecia muito disposto a arredar pé.
– Não me vais convidar a entrar? Não me digas que não confias em mim... – No fundo dos olhos dele havia graça.
– Hum... Acho melhor não. Já é tarde e a esta hora não confio nem em ti, nem em mim! – Contive um sorriso malicioso.
– Porquê? Tens medo de que aconteça alguma coisa? – Perguntou, dando um passo na minha direção. A sua expressão mudou e eu arrepiei-me involuntariamente.
– Medo? Não – menti. – Porque é que haveria de ter medo? O que é que poderia acontecer?
– Não sei. Talvez… – continuava a avançar na minha direção.
Eu recuei e ele apoiou as mãos na parede de ambos os lados da minha cabeça, obrigando-me a encostar à parede. O meu coração batia disparado. Chegou-se mais a mim e de forma ousadamente próxima, colocou o rosto a milímetros do meu. Vi que os seus olhos estavam congestionados e tive medo do rumo que aquela conversa estava a levar – o que nós quiséssemos que acontecesse...
– Nuno... O que é que estás a fazer? – Engoli em seco com a respiração irregular. Os seus lábios estavam tão perto dos meus que podia sentir o hálito dele. Não sei porquê, vieram me à cabeça imagens de morangos maduros com açúcar. E eu pedi a Deus que me desse forças para não o convidar a entrar.
– Estou só... – Inclinou a cabeça e com o rosto encostado ao meu, desenhou uma linha na minha pele, com o nariz, desde a têmpora até à clavícula – a despedir-me de ti.
Fechei os olhos. O meu corpo estava rígido como uma tábua e podia sentir a respiração dele no meu pescoço. Não sabia quanto tempo mais conseguiria resistir até dizer-lhe que sim, que podia entrar e que não me importava nada com o que pudesse acontecer. Mas, subitamente, ele parou. Suspirou profundamente e afastou-se de mim. A medo, abri os olhos e vi que me observava com um olhar triste.
– Até amanhã, Maria – disse, com a voz enrouquecida e foi-se embora, deixando-me ali encostada à parede com a respiração arquejante e sem saber o que pensar."

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